domingo, 12 de fevereiro de 2012

Summer Elegy

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“Amor não tem garantia mas tem devolução. Pode começar do nada, pode acabar de repente, pode não ter fim. Mas tem sempre o meio. O amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.”

Texto: Caio

P.S.: 0x0

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

(...)
...O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. 
(...)
...O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
(...)
...O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam.
(...)
...O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
(João Cabral de Melo Neto)




* Ontem foi um dia nostálgico... O primeiro encontro, o primeiro beijo, o primeiro abraço, o reencontro, o show... Um ano passa que a gente nem vê, né?
* Para nós, nada menos que um parabéns!
* Indescritível a sensação de receber uma ligação em pleno horário de trabalho dizendo que tinha entrega de flores pra mim... Obrigada!
* "Hoje eu queria alguém que me dissesse que eu não precisava me preocupar — como no Last Picture Show — um ombro, uma mão. Desculpe tanta sede, tanta insatisfação. Amanhã, amanhã recomeço. Te espero, te gosto, te beijo..." (CFA) 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

...it's just like a castle of dreams...

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Antes de deitar, acendeu um cigarro já no escuro, enxergando nada além da tirinha de luz entrando pela brecha da porta e da pontinha do cigarro queimando, morrendo e matando muito lento. Igualmente sem pressa, passou os dedos nos cabelos pretos, lembrando com saudade dos dedos dele, aqueles dedos às vezes leves, às vezes pesados... Na medida! 
Olhando pro nada, perdeu-se no meio de algumas memórias que havia escondido no bolso de uma calça velha...
Lembrou-se do tempo em que lhe doía a lembrança de alguém que não está ao lado, de alguém que nunca se sabe quando volta, quando liga de novo. Aquele alguém que sempre tem um passado meio presente, um futuro meio passado... Um presente muito longíquo, que nunca chegou! Aquele alguém que, no final das contas, serviu pra te deixar mais forte, mais madura, além de ter deixado no meio do caminho uma amizade boa. Lembrou-se dos planos minuciosos que fazia e que simbolicamente sempre desmoronaram, assim como os castelos de cartas que costumava erguer com o pai na infância...
"É engraçado de repente ver as coisas tão concretizadas, tão reais, tão prósperas!", pensou sorrindo, apertando os olhos com força, como que para não deixar esse insight lhe escapar pra se esconder no escuro do recinto. Respirou fundo, uma respiração suspirada, com cheiro de alegria e forma de sei-lá-o-quê, talvez de coração. Bem piegas! 
Checou o celular, passou da meia-noite. Já é dia 15... Onze meses. De gozo. De corpo. De alma.  
E as coisas vão acontecendo livres, como se as cartas agora se juntassem à própria revelia, formando um castelo forte, que vai crescendo rápido, rápido, rápido, sem o monitoramento de ninguém. Apenas cresce lá, no canto dos dias, com uma estrutura forte, mas tão forte, que terremotos catastróficos, daqueles mais violentos - e baixos! - já vieram tentar derrubar e, pfffffff, falharam! 
Hoje, depois do almoço, embaixo do sol, dentro de uma blusa preta, de mangas, ela resmunga entredentes um 'ai que calor'. Ele, gentilmente, dobra as mangas da blusa, abre um dos botões e solta um "eu te amo tanto, tanto, tanto, sabia?"
E assim o castelo cresce, se solidifica. As cartas agora são de sonhos, impossíveis de serem destruídas. Carcomidas pelo tempo, as lembranças de um tempo ruim vão se esfarelando, uma a uma, deixando a impressão de que foram vividas em outra vida, talvez num filme ou num livro triste de Goethe. Hoje ela vive a alegria de dias leves, desenhados à mão...
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domingo, 2 de outubro de 2011

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Sofá-cama. De um lado, sono, do outro, medo. Coração acelerado. Um susto. Cadê o fôlego?

- Que foi?
- Nada!

Silêncio. Carinho. Um friozinho engraçado na barriga. Olhos. Pele.

- Fala!
- Nada não, sério...

Respingos de nervosismo. Uma pitada de "ai meu deus". Um mar de ansiedade. Nenhuma dúvida!

- ...
- Eu te amo!

Abraço. Forte. Muito forte. Um sorriso. Alívio. Um beijo. E boa noite!
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 P.S.'s:

* "Porque uma hora ou outra, a gente diz. Grande parte das vezes por pressão ou hábito, outras por querer ouvir tal expressão em retorno. Poucas vezes pela pureza e transparência do sentimento." [Flávia Dias]

* O porquê da emoção? Por que, pra mim, só serve se for "pela pureza e transparência do sentimento"!

* "Vou te dizer o que eu nunca te disse antes, talvez seja isso o que está faltando: ter dito. Se eu não disse, não foi por avareza de dizer, nem por minha mudez de barata que tem mais olhos que boca. Se eu não disse é porque não sabia que sabia — mas agora sei. Vou te dizer que eu te amo. Sei que te disse isso antes, e que também era verdade quando te disse, mas é que só agora estou realmente dizendo." (Clarice Lispector)


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

...e a gente era obrigado a ser feliz...

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ReUnidos por um show inesquecível... Um convite aleatório, um encontro com atraso e lá estávamos, cantando Chico Buarque, dividindo uns sorrisos, uns olhares sem-graça, leves encontros de dois braços tímidos... Um beijo! As bocas de lábios sedentos, outrora receosos, reencontraram-se num misto de estranhamento, desejo e alívio...

Fim de show, sinucas no Angar 18, carona até a antiga kitnet, uns amassos na frente do prédio...
"Amanhã a gente se vê?" "Sim, claro, te ligo!"
Nem sei quem falou o quê, quem ligou pra quem ou qual dos dois sentiu falta primeiro. Sei que dormi com um sorriso grande na boca já nostálgica!

Mocassim cinza, short jeans, manga longa branca, óculos setentista de armação atípica, cigarro na mão e lá estava eu no local combinado, na hora combinada, submersa numa ansiogenia em níveis elevadíssimos. Ele chega todo jovial, numa moto alta, preta, me dá um abraço forte, aquele beijo tímido meio vai-não-vai de "segunda ficada" e vrrruuumm vrrrruuummm rumo ao bar. Conversa, cerveja, beijo bom... Agora não mais intimidados com a presença um do outro, pelo contrário, agora muito íntimos, atravessamos o fim de tarde gostoso e seguimos juntos rumo à madrugada. Sexo deliciosodocaralho! bom, conchinha, sorrisos... Conhecemo-nos há anos, certeza! Há vidas! Impossível não nos termos encontrado em outras vidas! "O dia em que Júpiter encontrou Saturno." Certeza!

Detalhista como sou, poderia escrever um livro com nossa trajetória até aqui. Então vou pular os oito meses... Cá estamos, então, ainda juntos, sem brigas, sem mesquinharias, sem joguinhos retardados de quem acha que dividir história é viver em conflito. Oito meses! É aquela fase em que a grandiloquência do "eu te amo" assusta quem fala e quem escuta, mas o "eu gosto de você" já não dá conta do tamanho e da intensidade do sentimento que pulsa no peito limpo. Aí a gente fica no meio-termo, no "eu te adoro". Ou então a gente cala. Cala e abraça. Finge pra si mesmo que esqueceu de dizer. "Depois eu falo!" E vai embora sem dizer...
Fase boa! Histórias interessantes pra contar. Algumas aventuras reminiscentes. Duas histórias entrelaçadas, duas vidas em homeostase... A gente é obrigado a ser feliz!!!

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P.S.:

*Sem muita paciência pra PS's. Os comentários agora precisam estar vinculados a algum endereço de email ou alguma conta. Evita transformar o espaço de comentário em chat. Até porque é meio chato ficar chamando um ser humano com toda a sua magnitude de anônimo. O anonimato garante algumas vantagens que não terão mais espaço nesse blog. Qualquer coisa, beijomeliga! ;)