sábado, 20 de setembro de 2008

A menina que roubava livros...

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Conversando esses dias com meus primos sobre livros, indiquei que lessem "A menina que roubava livros", de Markus Zusak. Acabei por me empolgar loucamente para lê-lo de novo, mas como já tenho uns trinta mil livros na fila, não poderei ler novamente por agora... [Pelo menos não nos próximos 57,5 anos!]
Ainda assim, não pude conter a empolgação e resolvi postar alguns trechos que eu me lembre terem sido beeem fortes durante a leitura (fora o final, claro).

Antes de mais nada, é preciso que se faça uma pequena apresentação sobre o livro. Bom, a narradora é, ninguém mais ninguém menos: a MORTE. O contexto da história: a Alemanha Nazista. O livro conta a história de uma menina encantadora - Liesel Meminger. A mistura entre a inocência de Liesel com o toque de poesia bucólica da Morte, dão um toque triste de doçura -ou um toque doce de tristeza, como preferir. A melancolia e a realidade grotesca da guerra, embora assustem e causem repulsa, dão um toque sublime à linda história dessa garotinha. Ela é forte, inteligente, esperta, guerreira... Mas não deixa de ser uma criança, com toda a inocência cabível para sua idade. E isso te faz faz oscilar entre os dois extremos: a inocência e a guerra!
Um pequeno desenho feito por ela:

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"Alguns (personagens) apenas passam por sua vida, outros a acompanham até que não lhes seja mais possível, outros estão mais perto do que parecem. Mas só quem está a seu lado por todas as 500 páginas, só quem testemunha a dor e a poesia da época em que Liesel Meminger teve sua vida salva diariamente pelas palavras, é a nossa narradora. Um dia todos irão conhecê-la. Mas ter a sua história contada por ela é para poucos. Tem que valer a pena!"



Bem, se mais delongas, comecemos com uma pequena apresentação da nossa ilustríssima narradora!




"• EIS UM PEQUENO FATO •


Você vai morrer.


Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.



• REAÇÃO AO FATO SUPRACITADO •


Isso preocupa você?


Insisto — não tenha medo.

Sou tudo, menos injusta.

— É claro, uma apresentação.

Um começo.

Onde estão meus bons modos?

Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente. Nesse momento, você estará deitado(a). (Raras vezes encontro pessoas de pé.) Estará solidificado(a) em seu corpo. Talvez haja uma descoberta; um grito pingará pelo ar. O único som que ouvirei depois disso será minha própria respiração, além do som do cheiro de meus passos. A pergunta é: qual será a cor de tudo nesse momento em que eu chegar para buscar você? Que dirá o céu? Pessoalmente, gosto do céu cor de chocolate. Chocolate escuro, bem escuro. As pessoas dizem que ele condiz comigo. Mas procuro gostar de todas as cores que vejo o espectro inteiro. Um bilhão de sabores, mais ou menos, nenhum deles exatamente igual, e um céu para chupar devagarinho. Tira a contundência da tensão. Ajuda-me a relaxar."



Um pequeno trecho do Diário da Morte:

"Nunca me esquecerei do primeiro dia em Auschwitz, da primeira vez em Mauthausen. Nesse segundo local, com o correr do tempo, também passei a pegá-los no fundo do grande penhasco, onde suas fugas acabavam terrivelmente mal. Havia corpos quebrados e meigos corações mortos. Ainda assim, era melhor do que o gás. Alguns deles eu apanhava ainda a meio caminho da descida. Salvei você, pensava comigo mesma, segurando suas almas no ar, enquanto o resto de seu ser — suas carcaças físicas — despencava na terra. Eram todos leves, como cascas de nozes vazias. E um céu enfumaçado nesses lugares. O cheiro fazia lembrar uma fornalha, mas ainda muito frio. Estremeço ao recordar — ao tentar desrealizar aquilo. Bafejo ar quente nas mãos, para aquecê-las. Mas é difícil mantê-las aquecidas quando as almas ainda tiritam. Deus. Sempre pronuncio esse nome, ao pensar naquilo. Deus. Duas vezes, eu repito. Digo o nome d'Ele na vã tentativa de compreender. "Mas não é sua função compreender." Essa sou eu respondendo. Deus nunca diz nada. Você acha que é a única pessoa a quem Ele nunca responde?E eu paro de me escutar, porque, para dizê-lo curto e grosso, eu canso a mim mesma. Quando começo a pensar desse jeito, fico inteiramente exausta e não tenho o luxo de me entregar à fadiga. Sou obrigada a continuar, porque, embora isso não se aplique a todas as pessoas da Terra, é verdade para a vasta maioria: a morte não espera por ninguém — e, quando espera, em geral não é por muito tempo."


Dominós e Trevas (Nessa parte eu parei uns 30 minutos pra refletir sobre o trecho em negrito.)

"Quando terminou a quarta partida de dominó, Rudy começou a en-fileirar as pedras na vertical, criando desenhos que serpenteavam pelo chão da sala. Como era seu hábito, também deixou alguns espaços, para o caso de haver interferência do dedo travesso de uma das irmãs, o que geralmente acontecia.

— Posso derrubar eles, Rudy?

— Não.

— E eu?

— Não. Todos vamos derrubá-los.

Rudy montou três formações separadas, que levavam à mesma torre de dominós no centro. Juntos, eles observariam o desmoronamento de tudo que fora tão cuidadosamente planejado, e todos sorririam ante a beleza da destruição. (...)
— A gente pode acender uma vela, Rudy?

Era uma coisa que o pai fizera muitas vezes com eles. Apagava a luz e todos viam os dominós caírem à luz da vela. De algum modo, isso tornava o acontecimento mais grandioso, um espetáculo maior."



Mais reflexões da morte...

"Provavelmente, é lícito dizer que, em todos os anos do império de Hitler, nenhuma pessoa pôde servir ao Führer com tanta lealdade quanto eu. O ser humano não tem um coração como o meu. O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo, e tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa. A conseqüência disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiúra e sua beleza, e me pergunto como uma mesma coisa pode ser as duas. Mas eles têm uma coisa que eu invejo. Que mais não seja, os humanos têm o bom senso de morrer."



A frase da contra-capa:

"Quando a Morte conta uma históra, você deve parar para ler!"

E a última nota da nossa amiga:






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P.S.: Peloamordequalquercoisa, leiam esse livro!!!

sábado, 13 de setembro de 2008

A carta de despedida...

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E agora, sem muito pesar ou qualquer resquício de dificuldade, eu posso afirmar, com todas as letras, que eu finalmente achei o que tão arduamente eu vinha procurando, e não há Deus no mundo capaz de me perdoar se eu, num ato insano, cometer o pecado de deixar o meu pequeno grande tesouro me escapar por entre os dedos.
Todo esse meu sentimentalismo piegas me dá margem pra dizer que eu amo tudo em você... E é esse mesmo sentimentalismo que vou debruçar em toda mesa de bar que eu frequentar daqui pra frente, na inocente tentativa de lembrar do teu abraço(!).
Façamos uma promessa: eu não me esqueço de você e você não esquece de mim... E se o acaso, que numa brincadeira cismou em nos unir, inventar de querer nos separar, lembremo-nos dos ótimos momentos que passamos juntos... E mesmo que os nossos caminhos se bifurquem e nossos corpos não conseguirem se unir de novo, hei de torcer para que permaneçamos unidos pela lembrança de cada segundo que dividimos, seja nas noites frias, seja no suor da cama, seja no banco aconchegante das praças...
Se nós conseguirmos cumprir essa promessa, nosso destino - inevitavelmente - será: você lá, eu cá e nós dois sempre unidos por uma força que transcende os limites de qualquer contato físico. À essa força dê o nome que quiser, mas no meu vocabulário ela se chama Amor... Simples e sublime assim!

( Savana Dantas)

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P.S.: Nessa última figura, há algumas palavras na parte inferior... Elas dizem o seguinte: "If you really want to touch someone, send them a letter."

P.P.S.: Mais perfeito que isso, só dois disso!!!

sábado, 6 de setembro de 2008

Algumas lembranças...

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Hoje é sábado. Um sábado solitário, mas gostoso... Tem gostinho de nostalgia com uma pitada sutil de melancolia e um cheiro adocicado de saudade! Ah... A saudade! Que cheiro embriagante!
Estou, cá, pensando com meus botões... Lembrando de algumas coisas...
E hoje é sábado... Se ele estivesse aqui, tudo seria diferente. Se ele estivesse aqui, o dia seria mais ou menos assim:
Depois de assistir à duas cansativas aulas na faculdade, eu iria pra casa, comeria alguma coisa, tomaria um belo banho, me produziria pra ele e iria esperá-lo na frente da nossa distribuidora de bebidas preferida. Ele me faria esperar uns bons quase 30 minutos e enquanto eu estivesse à espera, entorpeceria-me n'um misto de ansiedade e agonia. Provavelmente me distrairia escrevendo algumas bobagens (como esta) na agenda e compraria uma cerveja, que beberia enquanto estaria fumando um cigarro. Ele chegaria, saltitante, serelepe... Nós nos abraçaríamos longamente e depois de um doce beijo com gosto de halls, nós falaríamos sobre nossas saudades, nossas vontades... À essa altura, minha primeira cerveja já teria acabado e nós, instantaneamente, levantaríamos e iríamos rumo à distribuidora comprar mais... Sentaríamos naquele mesmo velho banco que tanto testemunhou confissões, promessas (...) e beberíamos aquelas cervejas com tamanho gosto, como se essas fossem as últimas do mundo. Conversaríamos sobre diversos assuntos que, vez por outra, inevitavelmente, seriam interrompidos por longos e atrevidos beijos! Ele me elogiaria e eu abriria um largo sorriso. Meus olhos provavelmente brilhariam e o coração bateria n'um ritmo diferente. Me abraçando, ele diria o quanto é bom estar comigo e minha boca, n'um reflexo tímido, simplesmente diria "idem", enquanto meu corpo inteiro daria um pulo de alegria ao ouvir aquelas palavras. Eu o beijaria longamente, já que as palavras me faltariam à boca e nela só me restaria uma louca vontade de encontrar aqueles lábios! Depois de algumas cervejas, eu ficaria apertada pra fazer xixi e nós nos locomoveríamos até o banheiro público da praça do relógio... Nos separaríamos por uns instantes, já que homens não são permitidos nos banheiros femininos e virce-versa... Ao entrar no banheiro, deparar-me-ia com o espelho, que me mostraria um sorriso imenso estampado na face e no olhar! Depois, faria o que fui fazer no banheiro e ele já estaria me esperando do lado de fora. Lá dentro desse lado de fora, nós nos beijaríamos gostosamente e eu provavelmente ouviria algumas coisas bem interessantes no ouvido (...)! Nós voltaríamos até a distribuidora, compraríamos mais cervejas e sentaríamos de novo no nosso amigo banco, cobertos apenas por algumas palmeiras e esse lindo céu que Brasília tem... Sentiríamos o cheiro das árvores, do amor, das fumaças dos churrasquinhos preparados não muito longe de nós... Tudo isso ao som de buzinas de carros, de músicas irritantes nos bares próximos e da voz dele sussurrada no meu ouvido. Passaríamos boas horas sentados, conversando trivialidades, tomando cervejas, nos beijando, sentindo inocentemente as nossas peles se encostando e ficando cada vez mais quentes...
Depois dessas ótimas horas de deleite no banco de uma praça, procuraríamos algum lugar para passarmos a noite. Andaríamos a esmo e ele me perguntaria pra onde eu quereria ir e o quê quereria fazer... Com um ar de 'reticências' na face, eu responderia à pergunta jogando ela de volta para ele. Diante da recíproca falta de resposta, nós continuaríamos andando e ficaríamos migrando de convenciência em conveniência para comprar mais cervejas. Acabaríamos achando algum lugar para dormir, ou melhor, para não dormir (...) e assim o faríamos: Não dormiríamos! Seja por pernoitarmos na rua, seja por pernoitarmos no paraíso (reticências)!
Se pernoitássemos na rua, passaríamos um frio nervoso e ficaríamos a noite toda tentando, juntos, vencer o gelo... Se pernoitássemos no paraíso, passaríamos um calor nervoso e ficaríamos a noite toda tentando, juntos, manter a chama acesa... (Cabe um segredo: provavelmente nós conseguiríamos!!!)
Se passássemos a noite na rua, divagaríamos sobre milhares de assuntos, ou talvez discutiríamos um pouco. Depois de uma longa madrugada, provavelmente eu adormeceria nos braços dele, exausta, feliz... Se passássemos a noite no paraíso, nos amaríamos como loucos, nos devoraríamos, transformaríamos nós dois n'um só, ele dentro de mim e eu dentro dele... Nadaríamos n'um oceano de suor, eu me afogaria, ele me salvaria... Viraríamos dois náufragos, na ilha perdida dos devaneios... 'Nadaríamos'... 'Nadaríamos' muito, até que, cansados, chegaríamos até a 'terra firme' e, despidos e ainda molhados, deitaríamos na areia, minha cabeça no peito dele e o peito dele ofegante... Recuperado o fôlego, nos perderíamos um no olhar do outro e proferiríamos palavras nascidas do mais sublime dos pensamentos, ao som doce de uma boa música brasileira qualquer... Nos perderíamos um no olhar do outro e nos encontraríamos mais à frente, um no coração do outro! Nos amaríamos de novo e de novo e de novo e de novo... Até que, exaustos, cairíamos n'um sono gostoso, aliviado e nos encontraríamos mais uma vez, eu no sonho dele, ele no meu! Acordaríamos felizes, encantados, descrentes... E eis que um café da manhã na cama estaria a me esperar! (=D) Alimentaríamos, juntos, os nossos corpos, depois de tanto ter alimentado nossas almas!
À essa altura do campeonato, já seria domingo e não seria mais pertinente continuar descrevendo essas coisas, já que hoje é só sábado ainda... Um sábado solitário, mas gostoso... Com gostinho de nostalgia mais uma pitada sutil de melancolia e um cheiro adocicado de saudade...!
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**Como não poderia deixar de faltar... Fica um P.S.: E nenhum dinheiro no mundo pode pagar a harmônica combinação de cama, cervejas, Nova Brasil FM (risos), toques e beijos olhísticos...! =)
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Em consonância com os tais dos 'beijos olhísticos", fica outro P.S. pra sair da rotina: "Ninguém adivinharia jamais que 'Otávio' a beijaria nas pálpebras uma vez, que ele sentira nos lábios os seus cílios e que sorriria por isso. E milagrosamente ela compreendera tudo sem que falassem. Ninguém saberia que um dia tinham se querido tanto que haviam permanecido mudos, sérios, parados. Dentro de cada um deles, acumulavam-se conhecimentos nunca devassados por estranhos. Ele fora embora um dia. Mas não importava tanto. Ela sabia que entre os dois havia "segredos", que ambos eram irremediavelmente cúmplices. Se fosse embora, se amasse outra mulher, iria embora e amaria outra mulher para participar-lhe depois, mesmo que nada lhe contasse." [Clarice Lispector, em Perto do Coração Selvagem]
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