sábado, 14 de fevereiro de 2009

.
Naquele dia choveu um dilúvio naquele rosto liso. Um dilúvio de lágrimas finas... Uma lágrima de finos dilúvios!
Naquele dia ela só almejava um abraço, um beijo, um aconchego... Almejava apenas saber que poderia contar com alguém...
As cervejas a esmo, os copos de vinho forçados, os cigarros fumados sem razão... Nada disso lhe servia aquela noite!
A internet resolveu não funcionar. O amor de sua vida resolveu perder-se. Restara-lhe o computador sem internet, umas músicas e um Word ultrapassado.
Suas companhias eram as de sempre: um cinzeiro pedindo arrego, um cigarro triste, um recipiente com amendoins (vício adquirido de seu pai) uma long neck recém-aberta, um copo de vinho pela metade, uma playlist bagunçada no Media Player... Esses foram seus companheiros. Apenas estes! O celular não tocava, o coração não sorria, o calor a esfriava, a esperança não dançava.
Assim sua noite seguira-se madrugada a dentro, com lágrimas, vômitos, cervejas, saudades, cigarros e sua velha amiga, a solidão. Essa mesma criatura que um dia resolvera mentir o nome, nomeando-se liberdade. Vadia! Não era liberdade seu nome, ledo engano. Ah, uma pena descobrir tão tarde...
“Bem, é a vida”, pensara num lamento. Sim, é a vida, tenho que concordar, embora com desdém.
Um cigarro, uma cerveja, amendoins, uma música... ‘É hora de começar outro texto’, concluíra!

.

.

"Se eu não procuro agora o que encontramos antes, é só porque a noite chora lágrimas de diamantes."

Texto: Savana Dantas

Arte: Orlando Pedroso

Letra: Paulinho Moska

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Não é tão simples quanto embriagar-se o é! Tão pouco é simples quanto as coisas corriqueiras do meu dia. Não há de se comparar o ato de escovar os dentes com o fato de ter que agüentar calada os gritos da saudade!
Não é tão natural quanto levantar e acender um cigarro antes mesmo de tirar o gosto de ressaca com creme dental – leia-se escovar os dentes.
Não é tão prazeroso quanto aquelas noites de sexo – lembra? -, tão pouco tão engraçado quanto as conversas que se seguiam!
Não é tão bonito quanto olhar pra tua feição de satisfeito quando observava meus olhos brilharem na mesma intensidade daquele nascer-de-sol que vimos no dia em que nos conhecemos!
Esse ‘isso’ que eu sinto e que, por conveniência, resolvi chamar de mera saudade, não se compara a nada que eu tenha conhecimento, sabe?
É que a saudade grita mais alto que eu... Logo eu, que sequer tenho conseguido abafar esse som agudo que me atravessa os tímpanos rumo à corrente sanguínea... Quem dirá sobrepor esses gritos!
Sabe aquela leveza que de tão leve chega a ter um peso insuportável? É ela que eu sinto durante as loucas noites de sexo que eu tenho vivido nesses últimos dias...
Mas sabe aquela dor que de tão transparente faz-se perceber a olhos nus? É ela que eu sinto quando acordo no dia seguinte e vejo que não é você quem está do meu lado...
Por fim, valho-me das lembranças. É só o que me resta, por hora!
..

.

"You see, you're just like everyone: When the shit falls all you want to do is run away and hide all by yourself. When you're far from me, there's nothing else. When your mind's made upThere's no point trying to change it. (...) And you call, call... Then I'll come running!"

[Arte: Orlando Pedroso.]

[Letra: Glen Hansard e Marketa Irglova]

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Havia muitos gritos aquela noite. Havia muito insulto passeando pela casa lotada de vazios. Aquelas confissões perseguir-me-ão para todo o sempre. É triste, eu sei. Mas antes isso do que continuar amando quem considera minha existência apenas uma forma de conseguir o que lhe convém, na hora que lhe convém. É como você bem disse: ‘Nossa relação é somente de troca... De favores!’
Você conseguiu fingir muito tempo, meus parabéns! Foram 17 anos me fazendo acreditar que nossa relação transcendia os limites da ligação sanguínea. Você é boa nisso, senhorita.
Naquele dia eu perdi uma irmã que enxerguei como amiga a vida inteira. Perdi a consideração. Perdi toda uma vida de esforços para fazê-la sorrir sem pedir nada em troca. Perdi até sangue, na maldita hora que resolvi enfiar aquela faca na minha barriga. Que loucura, não? Logo eu...
Maldita idéia essa minha de querer mostrar-lhe que suas palavras estavam machucando tanto que eram capazes de superar a dor física de uma faca enfiada na barriga. Pra quê tentar provar isso logo pra você, que não se importa com nada?
Mas, no fim, também ganhei algumas coisas... Ganhei um monte de verdades cuspidas na cara. Ganhei uma cicatriz na barriga. Ganhei uma ferida na alma... Ganhei menos um parasita! Obrigada mais uma vez.
E é com esses ganhos e perdas que eu vou seguir daqui pra frente, acreditando sempre no contrário do que você fala, ignorando o seu egoísmo e a sua frieza nata!



Misread - King of Convenience


Se você quer ser meu amigo,

Se você quer que a gente se entenda...

Por favor, não espere que eu

Resolva isso e mantenha lá.

A observação que eu estou fazendo poderia

Ser facilmente entendida

Como um comportamento cínico,

Mas um de nós não leu direito...

E o que você sabe?

Isto aconteceu de novo!

Um amigo não é um meio

Que você usa para chegar a algum lugar.

De algum modo eu não notei que

Amizade é um fim...

O que você sabe?

Isto aconteceu de novo!

Por que ninguém me contou

Que durante a história

As pessoas mais solitárias

Foram aquelas que sempre falaram a verdade?

Aquelas que fizeram a diferença

Ao confrontar a indiferença...

Eu acho que cabe a mim agora!

Eu devo correr o risco ou só sorrir?

O que você sabe?

Isto aconteceu de novo

O que você sabe?