quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Gente pra sempre, gente pra ontem...

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Ei, companheiro, senta aqui comigo um pouco? Te pago uma cerveja. É que tenho umas coisas pra contar...
O dia hoje começou com o berro incessante do despertador, às 7 da manhã... Daí foi só canseira, sabe? Ficar praticamente o dia todo em pé não é das atividades a mais prazerosa... Mas aí, no fim do dia bate uma saudade louca e a inércia, por um momento que me pareceu infinito, acabou pra escanteio. Liguei, anunciei a visita e apareci. Um abraço, um sorriso e depois de um “vamo na casa da R.?” a gente entra no carro e acende o mesmo velho cigarro... Na casa de R., uma surpresa me aguarda: A. está por lá! Depois de abraços e presentes, ouve-se o apelo: “vamo tomar uma cerva?”.
Aaaaaaaah... Fofocas, sorrisos, lamúrias, cervejas, cigarros e nostalgia! Tão bom revê-las, abraça-las, senti-las... Tão bom!
Sabe, amigo, é também delas que eu preciso. As coisas andam meio fora de controle e, embora a inércia tenha sido a melhor defesa, ainda é delas o poder de arrancar sorrisos. É que não tá dando pra encarar tudo: simplesmente empurra-se com a barriga! O passado, que de vez em quando desaparece, sempre me aparece em horas impróprias. Simplesmente bate na porta, senta no sofá e se instala feito parente chato... O passado sempre demora a passar!
Pergunta-se o rumo, o caminho... E no campo da resposta, apenas reticências! Sabe-se de cor quem vem de outro estado pra te tirar o sono. Sabe-se de cor quem te aparece do nada alegando saudades. Sabe-se de cor quem simplesmente quase não vem e, quando vem, vem muito de repente, da mesma forma como também simplesmente se vai. Sabe-se de cor quem veio sem avisar, feito chuva em Brasília, que chega do nada e pro nada se vai – ou fica, quem sabe?
E agora, amigo meu, o que se faz com toda essa gente? Essa gente que vem de repente, traz uma rosa, te usa, te abusa e goza! O que se faz com essa gente que não ta presente pra inaugurar a lingerie, que aparece pra sorrir, beber e depois fugir...?
No campo das respostas, apenas inércia... E reticências!



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Arte: Walfran Guedes
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