quarta-feira, 17 de março de 2010

Desatualizando...

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Orlando Pedroso

P.S.'s:

* "Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. " C. Fernando

* "Fico tão cansada às vezes, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. E fumo, e fico horas sem pensar absolutamente nada. (...)
Claro, é preciso julgar a si próprio com o máximo de rigidez, mas não sei se você concorda, as coisas por natureza já são tão duras para mim que não me acho no direito de endurecê-las ainda mais."
C. Fernando

* "Lóri estava triste. Não era uma tristeza difícil. Era mais como uma tristeza de saudade. Ela estava só. Com a eternidade à sua frente e atrás dela." C. Lispector

* " …uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusivem, muitas vezes, é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que, insatisfeita, foi a criadora de minha própria vida. (...) E desde logo, desejo você,o corpo que eu quero. Mas quero inteiro, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso. C. Lispector



terça-feira, 2 de março de 2010

Em fevereiro, tem carnaval...

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Foi lá (aeroporto de Brasília) que eu me despi de tudo que me preocupava, no intuito puro e simples de aproveitar sorrisos sem o medo usual de vê-los se esvaírem!
Foi lá (Valentina – João Pessoa) que eu revi amigos que tanto fazem falta.
Foi lá (alguma BR de Recife) que o caminhão me largou com uma mochila nas costas, uma amiga do lado e uma saudade no peito...
Foi lá (Recife antigo) que aconteceram os lindos e prazerosos ‘encontros’ com um artista Paraibano, com uma DJ Pernambucana, com um Alemão que, para minha grandessíssima sorte, falava inglês e com uma linda e adorável Japa Girl...
Foi lá (Cais de Santa Rita – Recife) que o sol que morre cedo me sorriu antes de deixar a lua me chamar pra rua...
Foi lá (Marco Zero/RecBeat - Recife) que Lenine fez o coração bater mais forte e por deleitosos minutos levou o pensamento de volta pro planalto central. Lá também a chuva caiu tímida quando Lirinha e seu Cordel Do Fogo Encantado pediram com humildade, lá a temperatura subiu quando Jorge Ben, acompanhado de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, chamaram o síndico, lá a Céu nos encantou com o ar de sua graça, lá aqueles tantos outros artistas fizeram valer a pena cada empurrão que eu levei no meio daquele mar de gente.

Foi lá (Casa de Clarice Lispector - Recife) que os pelos se arrepiaram ao sentir e ler um trechinho de uma certa ‘felicidade clandestina’...

Foi lá (Memorial Chico Science - Recife) que o peito doeu quando li aquelas tão tristes palavras sobre o silenciar de um tambor tão precioso: Chico Science.

Foi lá (Casa da Cultura, antiga Casa de Detenção de Recife) que eu senti o peso de ver uma cela em seu estado original com as “cicatrizes de um tempo que não deverá mais voltar”.
Foi lá (Ladeira da Misericórdia – Olinda) que, depois de literalmente escalar aquela ladeira, eu tive o privilégio de ver Recife de um ponto tão lindo...

Foi lá (Casa da Mari) que eu dormi até 4 da tarde – e depois ainda cochilei até as 6 -, lá que eu ganhei abraços, lá que eu chorei de tanto rir, lá que me receberam e acolheram como a uma irmã, lá que eu vi o carinho personificado em 7 lindas mulheres, lá que eu escutei a palavra da Briba e até fiz cover das ‘armadilhas de satanás’ (rsrs).

Foi lá (Casa do Vovô – Paraíba) que as mãos tremeram com o lindo reencontro com a família.Foi lá (Nordeste) que, subitamente, eu descobri onde minhas raízes estão fincadas. Foi lá que eu vi o mundo todo sorrir pra mim e eu, humildemente, sorri de volta, num ato singelo de gratidão. Foi lá que eu passei as melhores férias e é aqui, cá no peito, que se aloja uma saudade quase mortal de cada parte, de cada pessoa, de cada monumento, de cada segundo...


"E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu." L. Clarice


P.S.: As 7 mulheres as quais me referi, receberam um scrap com o link dessa postagem em seus respectivos orkut's.

P.S. aleatório: