terça-feira, 20 de julho de 2010

Ontem me disseram pra deixar essa bobalhagem toda pra trás, me disseram pra pagar a conta, pegar os cigarros em cima da mesa e ir embora, deixando pra trás tudo e todos que estavam no bar, mas saindo de cabeça erguida, sem dever nada a ninguém! Disseram pra eu parar de acreditar em bons momentos, alegando que eles sozinhos não são o suficiente pra sustentar sonhos. Disseram pra eu duvidar de rostinhos bonitos, de carícias espontâneas, de ligações inesperadas, de elogios gratuitos. Mas disseram também pra eu segurar bem forte o que me está sendo oferecido de tão bom grado, mas sem intencionar sugar mais do que se pode receber!
Me deram um puta tapa na cara ontem. "Ô, criatura, levanta a porra dessa cabeça e abre logo esse sorrisão-maior-que-a-tua-boca! Deixa esse lixo todo pra trás, põe fogo nas mentiras e nas verdades também. Põe fogo nesse entulho todo que tu carrega à toa nas costas. Põe fogo nas lembranças, nos sonhos arruinados, nos passados! Assopra logo esse castelinho frágil de cartas de baralho e joga tudo junto na fogueira!"
Foi uma boa conversa. Foi silencioso, foi avassalador! Me disseram que eu podia, que eu devia, que eu conseguiria... Que eu consigo! Eu consigo, posso, devo e vou!!!!
Ontem, no apartamento aconchegante de tão frio, estávamos apenas eu, alguns cigarros, umas cervejas, dois cachorros e um espelho!
Eu consigo, eu posso, eu devo... Eu sei disso!

P.S.'s:

* Feliz dia do amigo, rapaziada!

* Ouvindo It's Oh so quiet - Björk

* "Fico quieto. Primeiro que paixão deve ser coisa discreta, calada, centrada. Se você começa a espalhar aos sete ventos, crau, dá errado. Isso porque ao contar a gente tem a tendência a, digamos, “embonitar” a coisa, e portanto distanciar-se dela, apaixonando-se mais pelo supor-se apaixonado do que pelo objeto da paixão propriamente dito. Sei que é complicado, mas contar falsifica, é isso que quero dizer — e pensando mais longe, por isso mesmo literatura é sempre fraude. Quanto mais não-dita, melhor a paixão. Melhor, claro, em certo sentido que signifíca também o pior: as mais nobres paixões são também as mais cadelas.”

[Fernando, C.]